Mirtes Renata tira nota máxima em TCC sobre escravidão contemporânea: “O que me impulsionou foi meu filho”

coisasdeitupeva
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O que começou como uma profunda dor pessoal se transformou em uma luta por justiça e transformação social. Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel Otávio, menino de 5 anos que morreu após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Recife, acaba de conquistar uma importante vitória: foi aprovada com nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação em Direito, com o tema “Escravidão Contemporânea”.

A apresentação aconteceu nesta terça-feira (10), marcando o fim de um ciclo acadêmico iniciado em 2020, quando Mirtes decidiu estudar leis para lutar contra injustiças que afetam trabalhadores domésticos, como ela mesma.

“Foi muito difícil essa trajetória, vários momentos pensei em desistir, mas o que me impulsionou foi o meu filho. Estou concluindo esse curso por ele”, afirmou, emocionada.

Tragédia que mudou o rumo de uma vida

Miguel morreu em 2020, quando estava sob os cuidados de Sari Corte Real, então primeira-dama de Tamandaré (PE), enquanto Mirtes passeava com o cachorro da família para a qual trabalhava como empregada doméstica. O caso gerou grande comoção nacional e reacendeu o debate sobre desigualdades sociais, racismo estrutural e os direitos de trabalhadores domésticos no Brasil.

Desde então, Mirtes tem se dedicado a estudar e atuar politicamente. Hoje, trabalha como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), e pretende continuar os estudos com especializações e pós-graduação.

Tema escolhido reflete realidade de muitas brasileiras

Ao escolher a escravidão contemporânea como tema do seu TCC, Mirtes quis dar visibilidade à situação de milhares de trabalhadores — especialmente mulheres negras — que, apesar de leis trabalhistas, continuam sendo submetidos a condições degradantes.

“Muitas trabalhadoras domésticas ainda têm seus direitos desrespeitados. Era importante para mim trazer isso à discussão, mostrar que essa forma de escravidão ainda existe”, explicou.

A aprovação com nota 10 representa mais do que um reconhecimento acadêmico — é um passo firme de uma mulher que transformou a dor em propósito, e que segue determinada a lutar por um país mais justo.

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